Páginas

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Confesso sou impotente


Estou a mais de sessenta dias ausente do meu editor de texto, sem vocação, sem aspiração e sem inspiração. De um estalo perdi tudo, o jeito, a forma e o conteúdo. Tudo culpa de uma redescoberta: Sou impotente.
Com saudades lembrei-me do meu tempo de operário, cuja marca esta impressa na minha cerviz e dela não consigo livrar-me já que esta alcunhada no meu nome e meus amigos me identificam como o inábil no trato das coisas mais simples, que estou longe de ser um aprendiz de diplomata.
Eles esquecem que para me defender, sempre atuei no ataque e se necessário mordia. Em assim sendo, nunca me preocupei em fazer panelinhas, em criar círculos de defesa. A autodefesa era a regra. Enquanto operário, agia como operário, operário não pensa, pensam por ele, depois quando as circunstâncias me colocaram a frente da criação de um sindicato, fui obrigado a sair do enclausuramento da realidade que me cercava. Até então, o que me importava era apenas e tão somente chegar ao fim do dia para divertir-me com as nádegas da mulherada, constatei que são as nádegas que dão tesão.
As lideranças que me cercavam, perceberam de cara, que o cara errado estava no lugar certo e portanto era necessário colocar uma quantidade enorme de informação naquela cabeça vazia que só atentava para o universo da bundana. Fui repreendido muitas vezes pelos mais estoicistas que me diziam serem inadequados tais comportamentos com a função que exercia. De certo modo acabei sublimando os meus desejos evitando olhar ou comentar sobre a beleza estética do traseiro do sexo oposto.
Com o tempo meu linguajar foi incorporando a linguagem militante e acabei descobrindo que como operário, obrigatoriamente, teria que libertar o opressor que estava contido no meu viver. Eu era o opressor de mim mesmo. Passo seguinte foi criar mecanismos para alastrar, espraiar as novas informações que me permitiram formular um novo mundo. É claro que isto levou quase uma década do exercício de ouvir e ler. Lia muito, buscava o saber, a filosofia adentrou pelos meus poros, narinas, olhos e tudo o mais que pudesse absorver conhecimento.
Ciente de um novo papel na construção de um novo mundo passei a sofrer, porque era difícil, quase impossível para a maioria dos trabalhadores entenderem que era possível e desejável um mundo sem patrão. Foi fácil perceber que Platão com a sua Alegoria da Caverna tinha razão, muitos, a maioria dos trabalhadores se pudessem me eliminavam, como me eliminaram do movimento sindical, afinal estava sendo um empecilho para o acomodamento.
Busquei alternativas, fui ser funcionário público, ocupei cargo de confiança, fui ser acadêmico como discente e como tal passei a ser problema para os professores, muitos dos quais não eram dados a muita leitura e não conheciam os autores que eu citava em meus trabalhos. Para evitar confusão passei a ouvir e não contestar, mas aproveitava os trabalhos escritos e alfinetava a forma catatua como expressavam o mundo, suas virtudes e suas fraquezas. Confesso, acabei ficando parecido com eles, sem forma e sem conteúdo.
Isto não eliminou o meu sofrimento, a minha angustia diante dos problemas dos trabalhadores, os únicos a agregar valor ao produto e dele nada usufruir, viver na miséria e com os governos se afastando cada vez mais do Estado do Bem Estar Social, do Welfare State como dizem os ingleses e americanos; État-providence para os franceses e Wohlfahrtsstaat para os alemães. Caiu à cortina de ferro, caiu à preocupação com o bem estar social dos trabalhadores no mundo todo, inclusive nos países antes comunistas e propulsores das políticas sociais nos estados vizinhos, que ofereciam anéis para não perderem os dedos.
Agora, a Presidente Dilma que sufoca os aposentados e pensionistas da Previdência Social, vem com pacote de medidas ou de benesses ao setor privado entregando de mãos beijadas todo o potencial rodoferroviário nacional. Serão dezenas de milhares de milhões de reais que sairão dos cofres públicos para a iniciativa privado e está ai medidas para transferir portos e aeroportos porque o estado se julga incapaz de administrá-los.
Só no Brasil, esta peja pega. Porque nos países desenvolvidos, energia, transporte, telefonia são considerados de segurança nacional e, portanto sob o controle do estado, que não abre mão inclusive da administração dos ativos locados nestes empreendimentos.
Por aqui as privatizações da energia e da telefonia tiveram como principais compradores empresas estatais da Europa, que remetem lucros para a matriz segurando a bancarrota de alguns países, entre eles Espanha e França, nosso dinheiro alavancando economias do mundo.
E ai! Fico cada vez mais frustrado, nossa riqueza continua sangrando pelas veias abertas pelo liberalismo nacional e o PT e seus governantes de braços dados com os sanguesungas da nação brasileira. Dona Dilma tem se aconselhado com FHC e vem tomando medidas antinacionalistas, sacrificando ainda mais a nação brasileira.
O desenvolvimento necessita de infraestrutura? Necessita. Mas entregar a riqueza nacional ao bote especulativo é demais.
Por isso tenho me recolhido a insignificância de um militante vencido e esperando que os dias se acabem em tranqüilidade, porque o Brasil não muda. Os brasileiros Não querem.

5 comentários:

  1. TU SEMPRE FOSTE UM LUTADOR PELAS JUSTA CAUSA , E SEMPRE SERA MEU AMIGO ADEMIR KLEIN. LOURIVAL GOMES

    ResponderExcluir
  2. Como dizia Brecht, há os que lutam um pouco e são bons; Há os que lutam muito e são melhores. Há os que lutam toda a vida: ESSES SÃO IMPRESCINDÍVEIS!
    DESANIMAR, JAMAIS! NÃO HÁ MAL QUE DURE PARA SEMPRE!
    Que cada um procure fazer sua parte e se integrar!

    ResponderExcluir
  3. Aos incentivadores, meu muito obrigado. Vamos em frente, ou melhor, desistir, nunca.

    ResponderExcluir
  4. Companheiro !
    Foram so poucos dias de sua ausencia, e muitos de nos nos ausentamos a vida toda.A propria sociedade tentam amordaçar aquelea que descordam de suas atitudes. seu texto e de grande valia,nos da coragem para proceguir,e saber que não estamos so nesta jornada. Veja sua importancia a seus seguidores, então não estasmos so.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado.

      Na nossa travessia (humanidade) caminhamos tortuosamente até encontrar o modelo de todos os modelos sociais: A solidariedade. E ela começa exatamente onde estamos, sendo cordiais um com o outro e oferecendo a palavra para confortar.
      Vou postar, este agradecimento no blog.

      Obrigado

      Excluir