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sábado, 19 de maio de 2012

Tempo presente


A União Europeia continua com seus graves problemas de caixa.
As notícias de jornais daqui e de lá, apontam que houve no passado recente descuido nos gastos públicos e desvios de finalidade no sistema de saúde pública e de seguridade social.
Se inverdades; se mentiras, nós daqui não podemos constatar, mas faz nos lembrar dos escândalos provocados pelos desvios de milhões de reais do sistema público de seguridade social daqui.
Pessoas foram presas e condenadas, porém, nós os grandes interessados na sanidade dos sistemas públicos de seguridade, afastados do controle dos mesmos, temos a sensação de que houve apenas uma miragem, os fatos que indignaram, nem lembranças são para o nosso dia a dia, enquanto isso o Estado e o Governo deste Estado só fazem oferecer vantagens para os sistemas privados de seguridade social e na contra mão, ano a ano levar aqueles que contribuíram para o sistema público ao desespero pela desvalorização das chamadas “aposentadorias”.
Parece-me, o que aconteceu aqui, vem acontecendo na União Europeia, denuncias de desvios dos recursos da seguridade social para desviar a atenção dos contribuintes e desviar a atenção do que realmente esta acontecendo: “O Estado se afastando da sua função de proteger o cidadão e transferindo esta incumbência para o sistema financeiro mundial”.
Como o sistema financeiro não protege, expropria, o cidadão acaba pela vulnerabilidade, sendo espoliado e na hora “H” não tem a quem recorrer, o sistema judiciário não funciona a seu favor e o estado conivente na entrada se omite na saída.
Temos aqui vários exemplos no decorrer do tempo; o mais recente o da VARIG, cujos ex-funcionários estão a viver com os minguados recursos do sistema público e a sua poupança sumiu com o miar do gato e a empresa foi levada a falência.
Esta introdução é para dizer que os trabalhadores daqui e de acolá, só aprendem na trincheira de luta, fora dela são manipulados pela mídia e pela inteligência do sistema dominante.
Milhares, centenas de milhares foram às ruas neste mês de maio na Europa protestando contra o golpe que esta sendo dado na poupança dos trabalhadores e nas suas conquistas históricas.
Aqui o sistema de educação, saúde, transporte público e segurança estão falidos.
Nossas escolas públicas nada ensinam; nosso sistema de saúde pública é um caos, o transporte coletivo é o mais caro do mundo e o sistema de segurança que tem crescido e se desenvolvido é a segurança privada; na outra ponta, policiais que deviam servir a sociedade não raro, ou são bandidos, ou prestam serviços para a segurança privada.
E a culpa não é deles, é do estado que remunera mal e quando o policial morre em serviço; como homenagem, se houve uma salva de tiros. A família vai para o rol daqueles que viverão mal com uma pensão miserável.
Parece-me, o quadro aqui não é muito diferente do quadro dali.
Os dominadores avançam velozmente sobre os direitos dos trabalhadores e se estes não tomarem, posição rápida na defesa dos seus interesses, quando se aperceberem estarão lutando por um novo contesto abolicionista, porque tornaram-se escravos de um novo tempo e tendo o salário como instrumento de aprisionamento fático incapaz de suprir suas necessidades básicas.
Volto a insistir, movimentos autônomos e sem lideranças, acabam caindo no vazio pela inexistência de consistência reivindicatória. De outro lado é necessário unidade e impessoalidade neste tipo de movimento, pessoas são sujeitas a intempéries de toda ordem. Instituição sólida não. Como o movimento sindical, perdeu representatividade é necessário refunda-lo para cumprir com a prioritária função de representatividade. Se tivermos que abandonar este velho sistema facilmente cooptável, porque não?
Só teremos que ser competentes para das cinzas como fênix fazermos renascer uma estrutura que seja capaz de dar vazão as nossas aspirações.
Os partidos políticos por sua vez aqui, ali e acolá, no mundo todo perderam a capacidade de ser a expressão do pensamento dos seus afiliados, na Grécia em eleição recente o partido que mais cresceu, saindo do nada para alcançar mais de dez pontos foi o de tendência nazi-fascista, os demais ruíram, deixando um vazio sem precedente na história Grega.
No Brasil tivemos a experiência da Social Democracia no governo; que sem opções ideológica e programática seguiram a cartilha liberal e levou o país quase a falência, diga-se os instrumentos de políticas econômicas e sociais que criaram foram usados pelo Operário Presidente e saímos em menos de dois anos do fundo do poço e milhões de famílias e pessoas que estavam abaixo da linha da pobreza, hoje, fazem parte da classe média que ressurgiu, trabalhando e consumindo gerando riquezas.
A política do Banco Mundial e do FMI aqui não deu certo, enquanto a seguíamos, falimos. Também não dará certo na União Europeia.
Aqui o povo disse não ao sistema burguês no governo e elegeu um operário comprometido com políticas econômicas e sociais voltadas para a grande maioria, inclusive as massas despossuídas e até hoje a burguesia afastada cria factóides na tentativa de desestabilizar o governo e seus governantes.
Voltando ao eixo central deste texto: Sem Instituições fortes comprometidas com as causas populares, o povo vai a falência.
Pensem nisto.

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