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terça-feira, 21 de junho de 2011

Por que?

Vários artigos estão sendo publicados em revistas especializadas sobre a desvalorização da carreira docente. Foco aqui, docente como aquele que tem a obrigação de ensinar.

Parece-me que estes artigos, na sua grande maioria corporativistas, e por serem são descentrados do foco principal, deixam de abordar a questão ensino, pesquisa, extensão e atem-se a natureza da desvalorização monetária da carreira docente.

O mundo não da voltas e a história não é circular é por este prima que quero tecer comentário.

Quando o educador em todos os níveis deixa de olhar para o entorno e olha para o seu próprio umbigo, está fadado a dissociar-se do contexto histórico e não consegue perceber que desde muito tempo deixou de ser professor para ser treinador de jovens e adultos ávidos por adentrarem no mercado de trabalho que lhes permitirá consumir.

O mercado não tem necessidade de inteligências puras, mas de pessoas que realizem tarefas específicas para atender especificidade de produtos que serão consumidos no mundo todo.

O docente, deixou de ser educador para Ser apenas um repassador da funcionalidade das máquinas e equipamentos que irão realizar o trabalho. O Homem na frente (diante) destas máquinas não necessita pensar, apenas e tão somente realizar.

O aluno inteligente, aquele que questiona, que indaga, passa a ser enfadonho, é um estorvo para o que chamam de aprendizado e na maioria das vezes e desaconselhado a tal comportamento porque não condizente com o meio; o exercício de pensar fica cada vez menos abstrato e ausente das práticas cotidianas.

No abstrato da atividade os docentes não foram capazes de verem a realidade concreta de que o que interessa para o mercado de mão de obra não são pessoas que saibam ler, escrever e entender o que escreve e escreveram a respeito dele e de outrem, ao contrário o mercado quer pessoas que saibam ler e escrever, sem saber porque escrevem e para que escrevem, se em algum dado momento escrevem.

A máquina de posse das informações faz todo o resto, até mesmo o programador que prepara um sistema operacional faz sem saber o que esta realmente fazendo; é uma calamidade.

A primeira pergunta que o docente deve fazer-se é: qual meu papel na história? Vou trabalhar para preparar homens que estejam dispostos a fazerem o mundo avançar na direção da felicidade plena, ou continuarei a ser instrumento da geração bestial de indivíduos?

Questionar a desvalorização da atividade docente e um ato que tem por obrigação ser precedido do “questionar o papel da docência” no contexto histórico e na formação da humanização do homem.

Quando isto ocorrer o docente já não estará só e será precedido de lutadores que o auxiliarão na luta por conquistas.

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