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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lembrar

Na medida em que os dias avançam, retumbam nos meus ouvidos como num aviso solene a expressão: "Mais um velho combatente que se vai". Ouvi isto pela primeira vez quando da morte de Dirço Ismael da Silva o “Nego” lá pelos idos dos anos setenta, por companheiros dele resistentes ao golpe militar e integrantes do velho PTB de Getúlio e seguidores do MDB de Ulisses Guimarães.

Neste último final de semana a Democracia participativa perdeu um dos seus baluartes e de maneira sutil foi levado sem que muitos dos seus admiradores e seguidores pudessem dele se despedir, prestar-lhe uma última homenagem.

Tomo a liberdade de expressar ao companheiro Lírio Rosso, um baluarte na defesa dos valores democráticos minha singela homenagem em forma de réquiem, dizendo que a sua memória será reverenciada por todos aqueles que conviveram e aprenderam com ele que o importante acima de tudo é manter acesa a chama da liberdade, foi o que ele sempre fez, com a sua simplicidade e com a sua coragem para enfrentar as adversidades.

O conheci em 1978, voltei a minha terra natal e como a política estava no meu sangue fui ao encontro da legenda que havia defendido dois anos antes numa candidatura derrotada no município de Bom Jardim da Serra, e ele gentilmente me disse que o meu esforço era como uma semente deixada naquelas terras e que o MDB lá seria governo. O que aconteceu por várias vezes.

Nos anos seguintes sempre estivemos juntos, ouve a dissolução de arena e mdb, veio o pluripartidarismo fui para o PT; mas em 1982 na primeira eleição local na nova formatação partidária, não tive dúvidas em apoiar Lírio Rosso e Jaisom Barreto. O PMDB ganhou aqui com Zé Augusto. Paguei um preço caro por esta decisão, mas valeu à pena, o Zé fez um governo que eu em particular tenho saudades pelos avanços e pelo respeito às forças políticas partidárias, igual àquele governo nunca mais.

Lembro disso em memória de Lírio Rosso, foi sob a sua batuta que surgiram as atuais lideranças do PMDB de Criciúma e do Sul Catarinense, com certeza figura igual e de tanta honradez será difícil encontrar.

Saudades.

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