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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ainda estarei aqui?

Desde algum tempo venho escrevendo pequenos artigos sobre a “transição permanente” dos processos sócio-econômicos no seio das sociedades e por extensão afetando de forma direta a vida humana no planeta terra.

Indo ao encontro das ultimas grandes ocorrência neste fenômeno transicional, vimos à ruína do sistema do leste europeu, com a bancarrota do capitalismo de estado colocando em risco a segurança de bilhões de pessoas no planeta, afinal um grande arsenal bélico a base de energia nuclear por momentos ficou sem dono, mas com os controladores dos botões com o sistema nervoso em frangalhos, o que era deixou de ser e o que era para ser já não seria mais; felizmente o bom senso ocupou o espaço da intransigência e todos foram salvos.

Ora, o que faliu na verdade não foi aquele sistema dito comum, socialista onde tudo era de todos e todos faziam parte de tudo, o que estava ruindo na verdade era o sistema capitalista como um todo e é claro os pilares que caem primeiro são sempre os mais fracos; indo na sequência como num castelo de cartas caindo todos os demais.

Olhando para os ensinamentos de Karl Marx e Engels eles afirmaram no meado do século XIX que o capitalismo pela sua voracidade ruiria porque destruiria duas bases pilar do sistema em que se sustenta que são a natureza e a força de trabalho humana.

A natureza da respostas inequívocas de que se exauriu; esta no limite da sua capacidade de fornecimento de materiais e insumos para a produção de bens e serviços e a força de trabalho foi substituída pelo uso da tecnologia e os robôs substituem o homem na linha de produção, na outra ponta o mercado de trabalho fica exigindo profissionais com maior conhecimento para operarem o sistema produtivo.

É verdade que a escola já não forma inteligência como dantes, o discente sai para o mundo do trabalho com uma bagagem técnica alta e pouca capacidade de refletir a sua própria realidade. Ocorre que este profissional vai de encontro ao modelo que aprisiona e subverte a força produtiva e ao encontro de outras fontes de formação de pensamento que está espalhada por milhares, para não dizer milhões de sites numa diversidade de línguas nunca dantes vista.

O que a escola não ensinou o mundo ensina, as culturas se entrelaçam, as vozes se somam, há uma transliteração de conhecimento e a informação passa a ser motivo para a insatisfação.

Quem de sã consciência pode hoje admitir que algumas poucas famílias dominem o mundo e a capacidade de produzir riquezas, agora já não de alguns, mas de todos os humanos em idade produtiva.

Na medida em que o tempo avança os nós vão se apertando, as pessoas antes indiferentes, no conceito de Gramsci, passam a inter relacionar-se e a não admitir que seus governantes atuem contra toda uma nação e rebelam-se até e porque sabem que se já não tem nada a perder têm muito a ganhar.

O que esta acontecendo nas nações do bloco comum europeu é fruto deste novo momento, a insatisfação com o salário, passa a ser manifestada nas ruas, nas praças, diante de edifícios públicos em repúdio ao uso das forças de estado para extorquir e exigir dos mais fracos maiores sacrifícios. O fenômeno invisível dos avanços sociais, (por incrível que pareça) após a derrocada do leste europeu, contrariando as teses de Francis Fukuyama do fim da história, tem-se intensificado e acredito que no decorrer dos próximos anos o mundo estará vivendo sobre novas bases sociais, com novas formas de participação na riqueza produzida, com alterações profundas nas relações do estado que passa de guardião da riqueza material da minoria, para a defesa da felicidade das pessoas, que atuarão na defesa do bem comum. A pergunta que me faço é: Ainda estarei aqui?

Possivelmente não, mas meus filhos e netos estarão e desfrutarão desta nova realidade social. Que todos sejam felizes, os meus e os teus descendentes.

Um comentário:

  1. Querido pai, acabei de ler esse maravilhoso texto e me peguei filosofando sobre os acontecimentos atuais, mostrados claro, pela nossa falha televisão, que ao invés de educar a população mostra homens no horário integral se beijando, como se tivessem os mesmos direitos de uma família normal e tradicional. Deixo claro, cada um escolhe seu caminho e eu respeito, mais não sou obrigada a compartilhar. A imposição forçada me deixa um tanto quanto triste, pois, se assisto ao JN todos os dias é para me atualizar sobre o mundo e não assistir a beijos, isso assisto nas novelas. Outro assunto que me ocorreu foi a atual situação da Grécia, um país tão lindo e com uma cultura extraordinária que vem se perdendo pelo vandalismo do "capuz". A Grécia teve sua independência em 1832, através de guerras como grande maioria dos paises do mundo, e hoje, vem sofrendo uma severa crise financeira deixando milhares de famílias desamparadas, pessoas sem comida, sem transportes e sem esperança. Uma lastima chegar ao século XXI com tanta tecnologia e pouca inteligência. Bjs

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