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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escravos do Século XXI

O mundo passa neste momento por terrível dilema ante mais uma catástrofe econômica anunciada e prestes a ser deflagrada por países do Velho Continente e dos Estados Unidos da América; a grande potencia pode deixar de honrar compromissos provocando um colapso de ordem mundial, sacudindo as economias e colocando o povo nas ruas já cansado de pagar a conta.

Isto já não é uma hipótese é a realidade vivida pelas populações de Grécia, Espanha, Portugal, França, Alemanha entre tantos outros que suprimem conquistas dos últimos cinqüenta anos das classes trabalhadores.

Me permito a uma análise focando a atenção ao erro dominante e a clássica posturas das elites acadêmicas de tendenciosamente considerarem a escravidão como uma relação social da história passada; e que hoje é apenas uma raridade nos cantões onde a civilização ainda não chegou. Não devemos esquecer que a escravidão é inerente as relações humanas perpetuando-se no tempo e um fato inegável do momento.

À luz da história temos dois tipos de escravidão, (excluindo desta análise a perspectiva bíblica); a definição mais comum de escravidão é aquela que diz ser “a propriedade do homem sobre o homem”. John Murray (1877-1956), arcebispo católico diz que a escravidão é “a propriedade do homem sobre o trabalho do outro”. Como no código dos hebreus ele defende que nem sempre a propriedade sobre o trabalho deve ser considerada escravidão; etc e etc.

É uma definição que me agrada, ainda que não agrade a muitos: que o trabalho deixa de ser minha propriedade e tudo o que produzo pertence a outro, mesmo existindo um contrato laboral com a proteção do estado.

O segundo tipo de escravidão é a prevalência do estado sobre as pessoas e instituições, com obrigações de toda ordem e principalmente defendendo políticas publicas que privilegiem pequenos grupos prevalentes no tecido social.

As crises econômicas existentes hoje, nada mais são do que a escravidão do grande contingente populacional do mundo, sendo obrigados a transferir as parcas economias para as mãos de poucas famílias encasteladas na cúpula da pirâmide social.

Não bastassem os artifícios contábeis da macro-economia gerando inflação, que desvaloriza bens e serviços da grande maioria da população empobrecendo-a num passe de mágica; surgem os calotes de estados sobre a poupança dos investidores em títulos públicos levando empresas a falência e governos reduzindo benefícios, aumentando impostos, fechando postos de trabalho levando as pessoas “eu e você” ao desespero por não vermos luz no fundo do túnel. Ao final temos o resultado da transferência de poupança da nação sob o controle do estado para grupos financeiros se reestruturarem e manterem a economia em funcionamento.

É evidente que a grande massa de humanos vem aos poucos aumentando a sua consciência e entendendo que mesmo sob a égide do estado e por estarem sob a égide deste, não passam de escravos modernos e buscam a sua liberdade, modificando as estruturas estatais, gerando novos paradigmas e estabelecendo novos parâmetros para a convivência social. No silencio dos enclaves os homens tornam-se mais humanos, solidários e participes na busca de um novo tempo de liberdade de igualdade e de fraternidade. Proudhon afirmou que a propriedade é um roubo, me atrevo a dizer que a liberdade ainda utópica é o único instrumento para acabar com a expropriação do valor do trabalho.

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