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sábado, 14 de agosto de 2010

Nas entre linhas.

Quando nos deparamos com uma pessoa que não sabe ler e escrever, logo dizemos que ela é analfabeta.
No entanto se expormos a esta pessoa qualquer coisa comum ao seu meio ela vai fazer leitura corretamente daquela coisa.
O homem do campo que nunca foi à escola, conhece e identifica todas as ferramentas de uso diário, se perguntarmos onde esta o arado, a foice, a enxada ele prontamente nos indica e é capaz de dizer que já não as usa porque o trator com todos os utensílios e ferramentas modernas fazem todo o trabalho.
Ele pode não saber dirigir um automóvel, mas conduz com maestria seu trator.
Ele pode não conhecer números, mas conhece valores, não só os numéricos, mas os que fazem parte da moral e estudados pela ética.
Assim acontece com o pescador que conhece todos os artefatos de pesca, sua serventia e sua utilidade e com eles ganha o seu sustento.
Há os que dizem que estes homens não têm o espírito do empreendedorismo nem o arrojo dos vencedores.
Olhando pela lente mais apurada da visão humana, podemos afirmar que estes homens não conhecem e por não conhecerem não submetem outrem à exploração do trabalho para a acumulação de riquezas.
Constroem seu dia a dia, vivem-no como se fosse o último e a cada novo dia renovam a sua fé e sua esperança de um novo dia com as mesmas coisas, o mesmo pensar e o mesmo fazer.
Na verdade são pessoas que não conhecem os signos, suas origens e muito menos juntá-los para descrever coisas.
Fazem leitura da vida com mais maestria do que muitos doutores em lingüística, é a partir do seu conhecimento rudimentar e empírico que o doutor desenvolve a usa tese.
Portanto me atrevo a dizer; afirmar que aqueles que não conhecem o alfabeto apenas não conseguem montar palavras para expressar seus sentimentos; no entanto vivem-no intensamente, respeitam com presteza as leis e os costumes e fazem deles uma questão de honra.
Honra que os letrados desonram porque perderam o sentido moral dos valores, transformaram a vida num objeto descartável e as pessoas em papel higiênico; usa-se e bota-se fora.
Na verdade nestes dias que antecedem um novo tempo tudo é descartável, inclusive você que esta lendo este texto mal escrito e mal formatado.
Você pode achar um exagero, porem, recomendo lembrar-se do dia de ontem e procure recordar-se do que fez de melhor.
Talvez encontre na memória um resquício de humanidade não no seu ato, mas no daquele que não foi visto nem lembrado.
Junte todas as letras, faça dela uma sopa, porque elas já não servem para a construção de coisa melhor.

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