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terça-feira, 15 de junho de 2010

Caríssimo Senhor Pedro Porfírio.

Tenho andado pelos lugares mais remotos, tenho freqüentado reuniões as mais insólitas, tenho encontrado pessoas tateando num obscurantismo impar sem entenderem as razões das suas impotências.
E não são homens comuns, são aqueles que a democracia burguesa e capitalista, chama de vencedores, porque descobriram que explorar o trabalho humano é a fonte da riqueza e do sucesso, são os chamados empreendedores.
Pois dentre estes senhores, a grande maioria já foi operário e hoje são donos dos seus próprios negócios e não entendem porque suas reivindicações, seus pleitos políticos já não são atendidos.
Nas suas manifestações culpam o governo pelo desprestigio que vivem, não são ouvidos, não tem voz, não tem vez; até dizem que a classe empresarial não é respeitada; como se pudesse existir uma classe empresarial. A ciência social ensina que quando o capital se juntar em classe para defesa de seus interesses, deixará de existir sistema capitalista.
No sistema capitalista existe apenas uma classe: a dos trabalhadores que se unem para combater o capital e por sua vez todo capitalista deseja tomar posse do capital de outrem porque sabe que toda riqueza é fruto do trabalho e foi expropriada dos trabalhadores.
Não conhecem ou esqueceram que por centenas de anos os donos do poder político eram os senhores de terras, feudais ou não.
Esqueceram que com o avanço do conhecimento, com a descoberta da máquina, o poder político transitou, escapou das mãos dos senhores de terras e passou para as mãos dos industriais. Com o acumulo das riquezas, com a substituição da moeda nas transações de qualquer natureza, o sistema financeiro passou da condição de agiota odiado, para a de financista admirado. Esta mudança fortaleceu sobremaneira o sistema financeiro, que incapaz de saciar-se estimulou o avanço das relações comerciais e a economia já não era sustentada pela produção da manufatura, mas pela exploração da moeda e para aumentar a circulação da moeda foi necessário globalizar a economia. Com a globalização da economia desapareceram os grandes capitães de indústria e surgiram os grandes conglomerados financeiros detentores do poder político onde quer que exista o estado organizado. Eles têm tanto poder que dominam as culturas aborígines, mesmo aquelas que não sofreram ainda os reflexos da dita civilização.
Eis ai meu caro Senhor os males dos dias atuais: a transição do núcleo de poder de um estamento para outro, imperceptível que deixa “como se diz no meio popular” os menos avisados; sem eira e sem beira.
Fica claro que os governos nacionais estão submetidos à governança do mundo que é ao mesmo tempo abstrata e concreta. Abstrata porque são multilaterais; e concreta porque exerce poder de mando com suas sanções, leis e tribunais com poderes para julgar e condenar uma nação e seus governantes ao ostracismo e a pobreza.
Fica claro que a governança nacional não governa para o bem estar do seu povo e quando necessário metem a mão na poupança interna para proteger o sistema financeiro mundial, como fizeram recentemente.
Com seus meios controlam o pensamento contemporâneo, submetem a ciência social aos seus interesses e nem rabiscos de artigos se encontra nos periódicos que apontem para a escravização global. É verdade que entre os trabalhadores surge à vontade de libertação do atual sistema. O salário já não é o sonho de quem trabalha, na verdade os trabalhadores sentem-se escravizados pelo salário cada vez menor e impotente para satisfazer as necessidades mínimas de uma vida com dignidade. Ouço e pressinto entre os trabalhadores o desejo pela participação na riqueza produzida. É claro que eles ainda não sabem como se fará esta participação/distribuição, mas que ela é necessária não têm dúvidas, em breve os movimentos sociais estarão nas ruas reivindicando igualdade social, diferente da igualdade liberal que ai esta. Creia um novo modelo social esta sendo formatado no seio dos trabalhadores, que não obedecerá às formas conhecidas porque elas fracassaram.
Vosso desalento não é único, vosso desconforto não esta só, o Senhor vive um momento histórico importante, dolorido, sofrido, de isolamento intelectual onde a filosofia já não constrói e da sustentação a um novo conjunto de valores; a uma nova ordem moral e a uma nova ética, mas e sim se esconde para não mostrar sua cara de adesista ao que de pior a humanidade tem enfrentado na sua história, a escravização humana, sem fronteiras.
O Senhor se debate; se pergunta: Onde tenho errado?
Não verdade não errou, apenas esta sendo ignorado porque as pessoas sabem que no seu sentimento existe um desejo de ultrapassar fronteiras, de construir um mundo novo, falta apenas descobrir aquilo que Paulo Freire já ensinou na sua Pedagogia do Oprimido: “Que é necessário libertar o opressor” que não esta fora mas dentro de nós mesmos, como o sujeito que incorpora uma entidade espírita, deixa de ser ele mesmo e passa para a condição de cavalo, sem vontade, sem personalidade.
No momento oportuno vão se juntar ao Senhor outros tantos (uma multidão), numa caminhada silenciosa na direção da construção da felicidade, basta apenas tirar o véu, descobrir que o homem foi criado para ser humano; humanizar-se e humanizar o seu meio para a felicidade coletiva e que por não entender os processos e a fenomenologia do poder deixa de ser rei para morrer como gladiador.
Meu abraço, meu carinho e minha estima.
Ademir Klein da minha bela Criciúma em Santa Catarina.

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