Em várias partes do globo terrestre, houve neste primeiro de maio confraternização entre o capital e o trabalho.
Isto nem sempre foi possível, com o estado protegendo de forma até desumana o capital, restava aos trabalhadores posicionarem-se num ângulo que lhes pudesse ao menos ensejar-lhes alguma esperança.
Com o avanço das conquistas do leste europeu; principalmente com a vitória dos bolcheviques e a derrubada do regime tsarista e da Casa Romanov, com a implantação do insipiente regime socialista, com vertente social democrata ou com uma frente de idéias em prol do regime social sob o poder dos trabalhadores da cidade e do campo e sem dúvida com a crescente melhoria da qualidade de vida destes, os trabalhadores do oeste europeu e do continente americano iniciaram movimentos visando adotar regime semelhante.
Coube aos estados dessa região tomar medidas para não permitir o avanço do regime social.
Com a implantação do estado de bem estar social ou “Welfare State” em inglês conhecido como o estado providência, os de cá passaram a viver melhor que os de lá. É claro que no transcurso do tempo, nem os trabalhadores do leste europeu, nem os capitalistas da cidade e do campo perceberam as grandes mudanças que estavam e ainda estão ocorrendo na relação de poder sobre o capital.
E é claro, a não compreensão do fenômeno que transfere o poder da mão de um para a mão de outro segmento econômico que domina e impõe as regras do jogo; alteram todas as configurações de força.
Não foi o regime socialista do leste europeu que faliu, foi o sistema de dominação do capitalismo industrial e agrário que perdeu o poder sobre a economia e sobre as políticas de estado.
Capital e trabalho são reféns do chamado “mercado” que nada mais é do que o poder da moeda sobre tudo o mais.
Neste primeiro de maio quando trabalhadores e empresários estiverem confraternizando as conquistas históricas dos operários cabe uma reflexão sobre o futuro deste universo que gera riqueza e transfere renda para as mãos de uns poucos.
Há um movimento forte, ainda que silencioso, há um sentimento intrínseco na alma dos homens que trabalham, no sentido de combaterem o novo modelo escravista representado pelos salários.
Na lógica do consumismo estimulado pelos detentores do poder econômico de “mercado” os cidadãos passaram a entender que são objetos de uma máquina que impõe regras e globaliza a miséria.
A luta dos que vivem do trabalho será em breve a luta contra o salário.
O Salário já não é o objeto de desejo dos proletários, até e porque ele é apenas instrumento de segregação de significativas parcelas da população mundial.
Isto tem levado os detentores da moeda a instarem as nações a guerras internas, a revoluções e contra revoluções aqui e acolá.
Governos têm sido destruídos pelas mesmas razões para o que foram criados e fortalecidos.
Ocorre que as manobras projetadas nos gabinetes da inteligência do “mercado” acabam esbarrando nas decisões de homens realmente comprometidos com o seu povo, que adotam políticas de distribuição de renda, de fortalecimento do estado nacional através do armamento de seus exércitos e da geração de uma economia baseada no consumo interno.
Isto não é um retrocesso é ao contrario um avanço nas relações sociais enquanto os espaços econômicos permitirem manobras deste tipo e não sujeição aos mecanismos externos de apropriação das riquezas externas.
A recente quebradeira tornou bilhões de pessoas mais pobres no mundo todo.
Alguns países como o Brasil conseguiram safar-se deste achacamento global, tão somente porque seu Presidente decidiu que era possível desenvolvimento com distribuição de renda.
O Brasil não quebrou como diziam se o salário mínimo fosse maior.
A bolsa família é um componente importante para a sustentabilidade das famílias com ameaças de riscos sociais, para a escolarização dos infantes das periferias e para a profissionalização primária de grandes segmentos de jovens e de adultos.
Trinta milhões de brasileiros ascenderam socialmente.
Milhares de jovens conseguem freqüentar uma universidade pública e gratuita.
E economia cresce, cresce o emprego e a renda.
Sei que forças numerosas estão silenciosamente descobrindo que o modelo que ai esta não serve nem para o capital industrial e campesino, muito menos para o trabalho.
Sei que os interesses dos trabalhadores são conflitantes com os dos empresários.
Mas sei também que num determinado momento será necessário um pacto entre as partes para o restabelecimento de uma nova ordem social.
O pensamento esta gestando e a humanidade caminha para um novo tempo em que a felicidade será a meta de todos e todos contribuirão para a sua realização.
Neste primeiro de maio façamos avançar as nossas idéias e cada qual no seu seguimento construa os alicerces deste novo tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário