A violência do capital sobre o trabalho, tem origem na luta
entre donos de capital que para estimular a “concorrência” eliminam o trabalho
artesanal dos profissionais de ofício,
ou daqueles que dominam todo o processo de construção de alguma coisa nos seus
mínimos detalhes.
Eles os artesões dominavam o saber fazer e tinham a sua
volta aprendizes e meio oficiais que nas oficinas desenvolviam todas as etapas
da produção de um objeto, fosse uma camisa, ou um alicate, um chapéu ou um
sapato.
Cada um destes oficiais detinha o conhecimento ou o saber
fazer.
Ora, a concorrência sempre exigiu menor preço com maior
qualidade.
Neste contexto surgem às máquinas que eliminam a mão de obra
artesanal, a partir disto, começa a haver um excedente de trabalhadores no
mercado de trabalho.
Os patrões por sua vez, para melhor concorrerem, pagam
baixos salários e esticam a jornada de trabalho de sol a sol, ou nos períodos
de verão mais de dezesseis horas dia.
Neste contexto o trabalhador se submetia a jornadas extensas
por migalhas que não davam para sustentar sua família e quando morriam por
qualquer causa não havia condições de a família dar-lhe um sepultamento justo. É
neste momento que nasce às caixas de assistência com a finalidade de oferecer a
família do morto ou morta um modesto funeral.
Com o passar dos dias estas caixas de assistência se voltam
para a assistência à saúde.
Este principio demonstra aos trabalhadores que a união deles
em torno de coisas simples e comuns poderia mudar as relações com os patrões,
nasce ai as corporações de ofício para defesa de outros interesses e estas corporações
logo se denominam de sindicatos.
Varias correntes históricas defendem a origem do nome “sindicato”.
Atenho-me a dois termos, um surgido do francês – syndic – que significa representante de uma determinada comunidade
e outro que deriva do latim syndicus
que é proveniente do grego sundikós
com o significado: do que assiste em juízo ou justiça comunitária.
Parece-me que estes dois termos têm uma junção proativa que
não deixa dúvidas sobre o papel do sindicato na vida dos trabalhadores e na
origem da classe operária como produtora de riquezas e dela excluída pela ação
do capital.
Já disse de outras vezes que os capitalistas não podem se
reunir em classe, e as razões estão explicitas e implícitas na atividade do
lucro que se sustenta na chamada concorrência, ora se eles se tornarem em
classe acabarão se auto-eliminando o que não é plausível pela sua própria
natureza.
É mister dizer que ao longo da história o sindicalismo teve
papel importante para a melhoria da qualidade de vida e de trabalho dos
proletários da cidade e do campo.
De uma jornada extenuante de até dezessete horas diárias,
hoje se tem em média quarenta horas semanais. Os trabalhadores conquistaram o
direito a Assistência
à saúde, assistência ao trabalho, assistência ao ensino e os sindicatos
oferecem assistência jurídica entre outras tantas que hoje desfrutamos.
Daquele início da divisão da sociedade entre trabalhadores e
capitalistas, onde os últimos foram extremamente violentos, sujeitando o
trabalhador a condição de escravos do salário, submetendo famílias inteiras a
miséria e ao esforço desumano na produção. Só para entender: conseguiam vagas
aqueles trabalhadores que além do seu trabalho agregava o trabalho da mulher e
de seus filhos por uma única cota. Muitas mulheres e muitas crianças morreram
no local de trabalho vitimas das condições miseráveis do ambiente e muitas
mulheres deram a luz operando máquinas e diante delas morriam por falta de
assistência ao parto.
É claro isto provocava revolta e os revoltados agiam inspirados por
sentimentos de justiça atacando os patrões violentamente e não raro na destruição das máquinas.
Foi mais de um século de lutas dos trabalhadores até a conquista do
direito das oito horas diárias de trabalho.
O Primeiro de maio é fruto desta luta.
É claro que este sistema produz estudos e tratados e o maior deles e a
produção de Karl Marx que estudo e disseca o sistema capitalista, suas forças e
seus métodos.
A partir dai a luta dos trabalhadores passa a ter um caráter político,
os sindicatos passam a ter influência nos partidos, que por sua vez defendem
interesses dos trabalhadores, principalmente os partidos Social Democratas que
defendiam a ação do estado na mediação entre capital e trabalho. Porém, a
social democracia não consegue diminuir o ritmo de exploração do capital sobre
o trabalho. O conhecimento produzido por Karl Marx não chegava como não chega
aos trabalhadores, surgem então na Europa os partidos comunistas e suas vertentes,
umas mais e outras menos radicais.
Na Rússia a vida dos trabalhadores não era diferente, lá como em
qualquer lugar do mundo a riqueza produzida pelo trabalho estafante dos
trabalhadores da cidade e do campo ficava sobre o poder de uns poucos que por
sua vez dominavam as estruturas estatais.
A polícia e os exércitos serviam como servem para reprimir qualquer
movimento dos trabalhadores na direção de conquistas que diminuíssem as
diferenças econômicas.
Em 1905 os proletários na Rússia iniciam um movimento que leva treze
anos para chegar ao seu apogeu.
Em 1917 os trabalhadores da cidade e do campo através de movimentos
revolucionários derrotam o sistema capitalistas e implantam o sistema comunista
de produção.
Sem sombra de dúvidas este foi o maior acontecimento histórico na
luta do trabalhador contra o capital.
Em 1924 este movimento que evoluiu distribuindo riquezas teve um desvio –
morreu o seu maior líder nascido Vladimir
Ilyitch Uliánov que foi denominado de Vladimir
Ilitch Lenin ou Lenine. Lenin foi o
primeiro presidente e líder do Conselho de Comissários do Povo. Sua morte
provocou mudanças drásticas na forma de conduzir a revolução e seu sucessor,
para manter-se no poder perseguiu revolucionários, extraditou e executou adversários.
No entanto com a 2ª guerra mundial, os trabalhadores do ocidente puderam
constatar que os trabalhadores do oriente europeu viviam melhor e tinham
melhores condições de vida e de trabalho.
Com o fim da guerra os ex soldados, agora trabalhadores, iniciaram por toda
a Europa e pelo continente americano e asiático movimentos para mudar o regime
e implantar modelo igual ou melhor do que aquele vivido pelos trabalhados
russos e das repúblicas anexadas à Rússia.
O estado burguês do ocidente europeu e americano desenvolvem uma
política de conceder vantagens aos trabalhadores que recebeu o nome em
português de Estado Social. Através desta política os trabalhadores do ocidente
passaram a ter melhor qualidade de vida e de trabalho do que os trabalhadores
do ocidente.
Com a queda do regime dito comunista e com a consolidação do regime
capitalista e a sua globalização, surgem e se agravam as crises econômicas e ai
os trabalhadores começam a perder todas as vantagens que haviam “conquistado”
nos últimos sessenta anos.
Posso afirmar que a atual crise econômica tem como principal objetivo
expropriar vantagens dos trabalhadores.
Esta é uma verdade incontestável que continuarei a expor nos próximo
capítulos.
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