Páginas

domingo, 27 de maio de 2012

Um pouco da história do Sindicalismo


A violência do capital sobre o trabalho, tem origem na luta entre donos de capital que para estimular a “concorrência” eliminam o trabalho artesanal dos profissionais de ofício, ou daqueles que dominam todo o processo de construção de alguma coisa nos seus mínimos detalhes.
Eles os artesões dominavam o saber fazer e tinham a sua volta aprendizes e meio oficiais que nas oficinas desenvolviam todas as etapas da produção de um objeto, fosse uma camisa, ou um alicate, um chapéu ou um sapato.
Cada um destes oficiais detinha o conhecimento ou o saber fazer.
Ora, a concorrência sempre exigiu menor preço com maior qualidade.
Neste contexto surgem às máquinas que eliminam a mão de obra artesanal, a partir disto, começa a haver um excedente de trabalhadores no mercado de trabalho.
Os patrões por sua vez, para melhor concorrerem, pagam baixos salários e esticam a jornada de trabalho de sol a sol, ou nos períodos de verão mais de dezesseis horas dia.
Neste contexto o trabalhador se submetia a jornadas extensas por migalhas que não davam para sustentar sua família e quando morriam por qualquer causa não havia condições de a família dar-lhe um sepultamento justo. É neste momento que nasce às caixas de assistência com a finalidade de oferecer a família do morto ou morta um modesto funeral.
Com o passar dos dias estas caixas de assistência se voltam para a assistência à saúde.
Este principio demonstra aos trabalhadores que a união deles em torno de coisas simples e comuns poderia mudar as relações com os patrões, nasce ai as corporações de ofício para defesa de outros interesses e estas corporações logo se denominam de sindicatos.
Varias correntes históricas defendem a origem do nome “sindicato”. Atenho-me a dois termos, um surgido do francês – syndic – que significa representante de uma determinada comunidade e outro que deriva do latim syndicus que é proveniente do grego sundikós com o significado: do que assiste em juízo ou justiça comunitária.
Parece-me que estes dois termos têm uma junção proativa que não deixa dúvidas sobre o papel do sindicato na vida dos trabalhadores e na origem da classe operária como produtora de riquezas e dela excluída pela ação do capital.
Já disse de outras vezes que os capitalistas não podem se reunir em classe, e as razões estão explicitas e implícitas na atividade do lucro que se sustenta na chamada concorrência, ora se eles se tornarem em classe acabarão se auto-eliminando o que não é plausível pela sua própria natureza.
É mister dizer que ao longo da história o sindicalismo teve papel importante para a melhoria da qualidade de vida e de trabalho dos proletários da cidade e do campo.
De uma jornada extenuante de até dezessete horas diárias, hoje se tem em média quarenta horas semanais. Os trabalhadores conquistaram o direito a Assistência à saúde, assistência ao trabalho, assistência ao ensino e os sindicatos oferecem assistência jurídica entre outras tantas que hoje desfrutamos.
Daquele início da divisão da sociedade entre trabalhadores e capitalistas, onde os últimos foram extremamente violentos, sujeitando o trabalhador a condição de escravos do salário, submetendo famílias inteiras a miséria e ao esforço desumano na produção. Só para entender: conseguiam vagas aqueles trabalhadores que além do seu trabalho agregava o trabalho da mulher e de seus filhos por uma única cota. Muitas mulheres e muitas crianças morreram no local de trabalho vitimas das condições miseráveis do ambiente e muitas mulheres deram a luz operando máquinas e diante delas morriam por falta de assistência ao parto.
É claro isto provocava revolta e os revoltados agiam inspirados por sentimentos de justiça atacando os patrões violentamente  e não raro na destruição das máquinas.
Foi mais de um século de lutas dos trabalhadores até a conquista do direito das oito horas diárias de trabalho.
O Primeiro de maio é fruto desta luta.
É claro que este sistema produz estudos e tratados e o maior deles e a produção de Karl Marx que estudo e disseca o sistema capitalista, suas forças e seus métodos.
A partir dai a luta dos trabalhadores passa a ter um caráter político, os sindicatos passam a ter influência nos partidos, que por sua vez defendem interesses dos trabalhadores, principalmente os partidos Social Democratas que defendiam a ação do estado na mediação entre capital e trabalho. Porém, a social democracia não consegue diminuir o ritmo de exploração do capital sobre o trabalho. O conhecimento produzido por Karl Marx não chegava como não chega aos trabalhadores, surgem então na Europa os partidos comunistas e suas vertentes, umas mais e outras menos radicais.
Na Rússia a vida dos trabalhadores não era diferente, lá como em qualquer lugar do mundo a riqueza produzida pelo trabalho estafante dos trabalhadores da cidade e do campo ficava sobre o poder de uns poucos que por sua vez dominavam as estruturas estatais.
A polícia e os exércitos serviam como servem para reprimir qualquer movimento dos trabalhadores na direção de conquistas que diminuíssem as diferenças econômicas.
Em 1905 os proletários na Rússia iniciam um movimento que leva treze anos para chegar ao seu apogeu.
Em 1917 os trabalhadores da cidade e do campo através de movimentos revolucionários derrotam o sistema capitalistas e implantam o sistema comunista de produção.
Sem sombra de dúvidas este foi o maior acontecimento histórico na luta  do trabalhador contra o capital.
Em 1924 este movimento que evoluiu distribuindo riquezas teve um desvio – morreu o seu maior líder nascido Vladimir Ilyitch Uliánov que foi denominado de Vladimir Ilitch Lenin ou Lenine. Lenin foi o primeiro presidente e líder do Conselho de Comissários do Povo. Sua morte provocou mudanças drásticas na forma de conduzir a revolução e seu sucessor, para manter-se no poder perseguiu revolucionários, extraditou e executou adversários.
No entanto com a 2ª guerra mundial, os trabalhadores do ocidente puderam constatar que os trabalhadores do oriente europeu viviam melhor e tinham melhores condições de vida e de trabalho.
Com o fim da guerra os ex soldados, agora trabalhadores, iniciaram por toda a Europa e pelo continente americano e asiático movimentos para mudar o regime e implantar modelo igual ou melhor do que aquele vivido pelos trabalhados russos e das repúblicas anexadas à Rússia.
O estado burguês do ocidente europeu e americano desenvolvem uma política de conceder vantagens aos trabalhadores que recebeu o nome em português de Estado Social. Através desta política os trabalhadores do ocidente passaram a ter melhor qualidade de vida e de trabalho do que os trabalhadores do ocidente.
Com a queda do regime dito comunista e com a consolidação do regime capitalista e a sua globalização, surgem e se agravam as crises econômicas e ai os trabalhadores começam a perder todas as vantagens que haviam “conquistado” nos últimos sessenta anos.
Posso afirmar que a atual crise econômica tem como principal objetivo expropriar vantagens dos trabalhadores.
Esta é uma verdade incontestável que continuarei a expor nos próximo capítulos.
  











Nenhum comentário:

Postar um comentário