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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Vozes do destruidor.

Estava repassando mentalmente alguns episódios do cotidiano e lembrei-me de Lech Walesa, aquele que iniciou com sua ação a derrubada do sistema comunista do leste europeu, quando ele dizia sobre o Lula o seguinte: “Fácil é criar um sistema comunista; difícil e derrubá-lo, desconstruí-lo como eu o fiz”.
Pelo que eu saiba, Lula é social democrata, portanto distante do sistema comunista, pelo menos nestas últimas décadas e foi inspiração para Walesa, já que por aqui enfrentou o regime militar, seus tanques suas aeronaves e seus pés chatos e não desistiu da luta pela democracia burguesa ao fazer as greves de 1978. Lech só apareceria para o mundo em 1980 também liderando um movimento grevista no estaleiro de Gdansk. Posso reafirmar que Lula foi inspiração para Walesa, aqui como lá enfrentaram sistemas políticos fortes e tinham como parceiros políticos e espirituais a Igreja Católica Romana.
Os Bispos daqui, como o Bispo de Roma foram os formuladores destes movimentos operários.
Lula aqui, atuou com sua sapiência contra o principal objetivo da elite dominante, retirar, desconstruir, desonerar as conquistas dos trabalhadores nas últimas cinco décadas, processo que continua na Europa e que mata centenas na Polônia de Lech.
Minhas diferenças com Walesa e com o Papa João Paulo II, mais com o segundo do que com o primeiro, porque um é um simples operário, o outro um intelectual assentado sobre 2.000 anos de história não só da igreja que presidiu, mas e também da história da humanidade.
Ele sabia que o leste europeu havia mudado para melhor a face do mundo e a qualidade de vida dos trabalhadores; Walesa vivia um momento e foi instrumento para o enfraquecimento do sistema comunista do leste europeu.
Ambos pecaram contra os trabalhadores, Walesa não podia colocar sua vaidade a serviço da opressão capitalista. João Paulo II não podia ignorar os avanços conquistados.
Cabia ao intelectual dizer ao trabalhador que o sistema já não atendia aos interesses coletivos, porém era necessário repensar, rever e propor um novo modelo que substituísse aquele, não apenas destruí-lo entregando as riquezas dos trabalhadores a um bando encastelado nas estruturas de poder, levando o trabalhador ao desespero e a morte pela falta de alternativas.
Se o sistema comunista puro de um lado e o capitalismo selvagem de outro não interessavam e não interessam aos trabalhadores era necessário a construção de um novo, ainda que sobre os pilares dos sistemas carcomidos pelo tempo.
Os movimentos dos “indignados” do mundo tem tudo a ver com o desastre propiciado pelos trabalhadores do estaleiro de gdansk e pela liderança maior da Igreja Romana, voltada apenas para seus umbigos. Ambos ganhadores do premio Nobel da paz, só por ai já dá para tirar a medida do comprometimento com o sistema financeiro mundial.

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