É com convicção, após ler vários artigos sobre o movimento dos indignados ao redor do mundo, que volto a tua telinha expondo minha idéia sobre a revolução que se apresenta aos nossos olhos e que não é para o futuro, nem para ontem e para hoje.
O estado e a sua estrutura sempre estiveram a serviço das forças econômicas dominantes, isto é ponto pacífico, penso, não há discordância.
Durante o período agropastoril a estrutura estatal foi montada para defender os interesses dos donos das terras, com o trabalho sendo escravo ou servil. Devemos lembrar que o estado era religioso, ou seja: A igreja estava acima do soberano, que ao mesmo tempo era chefe da Igreja e Chefe de estado. Quando faltava um, faltava outro, o que não significa que Igreja e Estado ficassem sem governo, muito pelo contrário pela direito de sucessão, os filhos do Rei o sucediam sendo coroado pelo primaz da Igreja naquele país; porque esta sempre teve seu governo em Roma.
Lá pelo final do século XV, início do século XVI, houve um cisma na Igreja Romana forçado pelo Bispo Martinho Lutero surgindo a reforma no pensamento religioso do ocidente, o oriente já era mulçumano.
Este rompimento teve fundamental importância para o surgimento do pensamento livre e da exposição das idéias; com isso desenvolve-se a cultura, que por sua vez desenvolve o saber. Com o desenvolvimento do saber (conhecimento) existe uma forte mobilização cultural, o renascimento do século XIII, dá lugar ao Iluminismo do Século XVIII, com Descartes afirmando que a verdade surgia da capacidade do homem duvidar e refletir. Surge o racionalismo que muda a visão de monarcas e de monarquias.
Se a cultura muda o saber, por sua vez, o saber, muda a cultura e esta inter-relação cultura saber muda o mundo, porque cultura e saber são os instrumentos para o homem aprofundar o seu conhecimento da natureza e modificá-la para benéfico próprio e de outrem. Esta explosão de cultura e de saber, faz o homem descobrir que o seu conhecimento sobre o mundo e as coisas era menor do que o existente na era pré-diluviana.
Necessário pois era pensar o “estado” para os séculos vindouros e surgem pensadores como Nicolau Maquiavel, Jean-Jacques Rousseau, Tomas Hobbes e John Locke e pensando o estado socialista Karl Marx e Friedrich Engels.
Me dou o direito de dizer que foi a época das epopéias do pensamento humano que modificaram o mundo. Época em que um homem curioso faz uma panela de pressão e depois um embolo impulcionado pelo vapor, surgiu ai pelas mãos de James Watt e Thomas Newcomen a máquina a vapor tal a conhecemos, que continua avançada pelo uso da energia nuclear.
A máquina a vapor provoca uma revolução no sistema produtivo como força de trabalho e também no sistema logístico com a locomotiva e o barco a vapor.
Se no burgo já existia uma insatisfação dos industriais que não tinham poder político, com o crescimento da produção industrial incrementado pela máquina, milhares de artesões ficam sem emprego por toda a Europa que ferve politicamente havendo manifestações públicas em vários países. Na França o rei é fraco e a solução é prender e condenar manifestantes, desde penas simples até a morte pela guilhotina.
Nesta efervescência surgem duas grandes revoluções, a Francesa que dá inicio a derrocada do absolutismo e a segunda é a Inglaterra redescobrindo o salário, estopim para a fim da escravatura. Há os que negam, mas há os que afirmam que escravo não consome por isto os Ingleses foram os primeiros a aboli-la e o Brasil o último. Estas duas revoluções mudaram a ordem estatal. O agropastoril cede poder para a nova força econômica e o estado passa a defender com vigor o novo sistema.
Observando os períodos: O agropastoril teve poder por mais de um milênio. A era industrial reinou por aproximadamente cem anos. Neste fase é bom lembrar surgiram os capitães de industria, contra os quais os industriários despejavam a sua ira na luta por melhores condições de vida e de trabalho. O capital tinha rosto.
No Brasil a era industrial atrasa e é Getúlio Vargas quem dá o pontapé final provendo o estado de todos os instrumentos para que este sistema avance e se fortifique.
Ao mesmo tempo, desponta no horizonte a nova força econômica. Aqui, ali e acolá os governos fazem de tudo, para mudar a face do estado garantindo ao sistema financeiro forças para que assuma o controle econômico em todo o mundo.
Desaparece a figura do capitão de industria e os trabalhadores já não tem uma figura para descarregar a sua ira. Os estados passam de credores para devedores. Sua sustentabilidade é mantida pela captação de dinheiro no “mercado” com altas taxas de juros. A nação paga impostos para cobrir as dívidas do estado. O estado entra em concordata e cria novos impostos para pagar suas contas. Não há recursos suficientes. O estado entra em situação falimentar e passa a caloteiro.
Esta situação coloca os trabalhadores numa posição não de expectador, mas de ator que sofre e paga todas as contas. Se ele já não era satisfeito com a condição de assalariado, esta muito mais insatisfeito com a condição de “sem emprego e sem salário”. Ocorre que ao manifestar sua insatisfação, manifesta também sua indignação com os governos que elegeram.
O que tem feito os observadores indagarem é a falta de liderança neste movimento e a falta de objetivos específicos que apontem uma nova direção.
Para finalizar e solicitar a sua reflexão, formulo: Se a condição de assalariado já não satisfazia e se o estado já não garante o suprimento das necessidades básicas para o cidadão é provável também que o atual modelo estatal já não serve para a grande maioria. Pergunto: Você já pensou num modelo em que a diferença entre o piso e o teto da distribuição de renda não seja superior a sete vezes?
Só para exemplificar: Um pensionista no Brasil recebe R$ 7.464,80 (sete mil quatrocentos e sessenta e quatro reais e oitenta centavos) anuais, com a fórmula ai de cima um executivo da Petrobras não poderia receber mais que R$ 52.253,60 (cinqüenta e dois mil, duzentos e cinqüenta e três reais e sessenta centavos anuais. Vejam a diferença: Um deputado Federal recebe mensalmente aquilo que um pensionista leva quarenta e quatro meses e dias para receber do INSS. Ou um mês de salário de um Deputado ou Senador é quarenta e quatro vezes mais que um salário mínimo.
Não tenho dúvidas que uma nova revolução esta em curso. Hoje os indignados não têm lideranças e objetivos; amanhã surgirão as lideranças que apontarão para um novo modelo estatal que respeitará a livre iniciativa, imporá restrições ao desemprego, acabará com o salário e instituirá a distribuição de riquezas, inclusive as produzidas pela história do homem, ou seja: nivelará os cidadãos por cima dignificando a vida e valorizando o humano. Este será o resultado da nossa indignação. Não será ainda o paraíso mas estará o homem muito próximo disto.
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