Páginas

domingo, 23 de outubro de 2011

O Mito, o abstrato e o concreto.*


Quando Platão discorreu sobre os efeitos do conhecimento e a imperfeição do olhar humano sobre o mundo, classificou-a com uma metáfora usando a luz e as sombras.

O que ele explicitava nas suas assertivas era que a uns era dada a oportunidade para manterem outros na mais completa ignorância e para tanto usavam de signos mitológicos para afastar o homem do conhecimento
Nos dias atuais, cria-se o mito de que a educação vai libertar as camadas subalternas propiciando o acesso ao consumo e a participação na riqueza historicamente produzida.
Dentro do processo pedagógico ensino aprendizagem o que se ensina fica num mundo abstrato e imperceptível e a aprendizagem e tão fragmentada que fica impossível ao discente fazer leitura da concreticidade que o cerca.
E isso não veio gratuitamente; foi pensado e planejado para tirar a capacidade dos futuros profissionais de ver e ouvir corretamente, de se situarem num plano de ocupação de espaços que o saber devia lhes oportunizar.
Ele é uma máquina que age seguindo impulsos sem questionar a razão de o seu saber ser um saber inferior e que apenas lhe tira a condição de operário e passa para a condição de burocrata; em vez da picareta; usa um computador, em vês do desmonte da montanha, monta montanhas de planilhas com dados e números que ele não sabe bem a importância.   
Este novo operário, com curso técnico, tecnólogo ou curso superior vive num mundo abstrato, fantasioso e a panacéia que lhe criaram como remédio, custou-lhe no mínimo uns dez anos de trabalho, ou criou um passivo para amortização futura, ou consumiu uma poupança gerada pelo acumulo de trabalho de seus familiares.
E a família feliz pelo dia do ingresso do infante no mundo do conhecimento não consegue entender o porquê do flagelo do desemprego e o pior: do baixo salário para o seu filho “doutor” em qualquer coisa.
A fragmentação do ensino segue na mesma lógica desenvolvida por Taylor para a fragmentação do trabalho.
O Mito da educação libertadora esbarra no abstrato mundo do conhecimento e o homem não consegue vislumbrar concretamente qual o seu papel como ator social, que atua para transformar a realidade.
A ciência educacional precisa rever seus conceitos e decidir para quem vai trabalhar: Se para uma sociedade de iguais ou vai continuar aumentando o fosso da miséria cognitiva.
Defendo que o estado tem que intervir nesta lógica introduzida pelo processo de globalização da produção e do consumo e investir na inversão deste conceito burro de educar as avessas. Necessitamos é verdade no mundo do trabalho de pessoas que além de criticarem os processos possam desenvolver tecnologias que inovem os produtos e melhorem a sua qualidade, para deixarmos de ser importador e passarmos a condição de exportador de conhecimento.
Mas necessitamos também que estas mesmas pessoas, possam transpor os umbrais da ignorância para ver que não existem só sombras, muito pelo contrário a luz da felicidade esta ao seu alcance.
Uma nação de sábios e mais difícil de ser manipulada; eles não acreditam em mitos, ultrapassam o abstrato e atuam num mundo concreto com saberes concretos.
Eis a razão da falência da estrutura educacional.

*Nota: Este texto foi escrito em outubro de 2010, por razões que a razão não explica somente agora publico-o.




Nenhum comentário:

Postar um comentário