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sábado, 22 de outubro de 2011

As flores e o lodo

Vivemos numa sociedade em que a troca de valores é uma constante. Não falo de valores financeiros, monetário, ou de base econômica; falo de valores humanos, base da moral e objetivo de estudo da ética.
Não é necessário ser expert em filosofia, sociologia ou mesmo em psiquiatria para perceber que há algo de errado no comportamento humano.
Nada tem valor, tudo é supérfluo, tudo é descartável.
A vida: o bem mais sagrado do individuo numa sociedade, perdeu valor, significado; mata-se uma pessoa com a mesma facilidade que se mata um mosquito ou qualquer outro inseto que incomoda.
Já não podemos andar tranqüilos pelas ruas.
E se você pensa que a próxima vitima vai ser alguém que tem dinheiro, engana-se, pode ser você. Corre-se muito risco andando pelas nossas ruas e pelas calçadas.
Se não for um apressado no seu bólido, é um pivete que quer o seu tênis de marca, o seu telefone, a sua carteira ou a sua bolsa; ou um fugitivo lhe fazendo de refém para a sua proteção.
Morre-se dentro de casa quando se descansa de um dia intenso de trabalho.
Todo dia toda hora, todo minuto, aqui, ali, acolá; alguém é vitima da violência urbana.
E nos os cidadãos comuns não sabemos como nos proteger, penso que os cidadãos incomuns (sic..) também não sabem, ainda que a sua segurança seja mantida a peso de ouro.
Os especialistas e os rábulas em segurança ficam apontando soluções as mais esdrúxulas que se possa imaginar, desde a melhoria da educação até a desfavelização das cidades.
Primeiro devemos ter em conta que a educação não é panacéia para todos os males, segundo que as favelas refletem a situação econômica de significativa parcela da população, sem teto, sem abrigo, sem dignidade.
O que dignifica o homem é a sua condição de cidadão, quando a cidade esta ausente; não se volta para os problemas sociais que emerge do seu seio, criam-se guetos onde o individuo não mora, se esconde.
E ao viver nas sombras, sem possibilidade de ascensão aos bens públicos e privados, perde a visão de que é um ser e como tal têm direitos e deveres para com o conjunto social; aos poucos vai ficando com os deveres de trabalhar, de produzir riquezas, sem saber que parte dela deve retornar para o seu bem estar e a sua qualidade de vida.
Como trabalhando nada têm, melhor e nada ter sem trabalhar, sem ter que cumprir horário; melhor é ficar na espreita para sendo possível desapertar-se com algo que não lhe pertence.
Num relance se percebe marginal, criminoso, bandido.
O furto de pequenas coisas, leva ao roubo de grandes coisas, o risco é maior, pensa; mas havendo sucesso, a compensação também é maior. De individuo, passa a bando e de bando a quadrilha e de quadrilha a matadores na defesa da sua atividade de risco.
Com as pessoas aquarteladas no submundo em grandes contingentes, o resultado é a degradação humana.
E você pode perguntar-se: e eu com isso?
Com certeza você tem tudo a ver com isso.
A próxima vitima da violência, Se não for você, pode ser seu filho, sua filha, sua mulher, sua mãe, seu pai, seu irmão, um amigo e ai você chora, se desespera, fala, resmunga, esbraveja, acumula ódio e não é capaz de olhando para o passado, para o presente e para o futuro entender que o teu discurso e o teu apoio aos discursos de um estado enxuto, nada mais é do que a transferência da riqueza que é de todos para o beneficio de uns poucos.
Seja um agente contra o lodo que enfeia as flores humanas.

Um comentário:

  1. Caro Ademir,

    O discurso reflexivo sobre segurança, condições de existir com dignidade é a mais pura realidade, só que infelizmente não ecoa na maioria dos seres humanos. Precisamos de um sistema economico que tenha como premissa a igualdade entre os homens, a justiça social... Os detentores das riquezas não querem dividir, isso acontece, entre os homens, entre os municipios, entre os estados, entre os países, entre as instituições privadas... Não aprende-se nesta lógica da economia a dividir, só a somar e multiplicar... Os homens que não tem riqueza se anestesiam pelo consumo, que nada mais é do que uma forma de concentrar mais poder aos mais ricos... Tudo está a ir muito mal... Nos resta a esperança e a luta... A luta está difícil... São os quixotes contra os moinhos... A direção da luta está equivocada... Mas, desistir jamais...

    Fernando J F Gonçalves

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