Páginas

domingo, 11 de setembro de 2011

Cidadão/Cidadania e Democracia

Há poucos dias, uma manifestação de estudantes na cidade de Teresina no Piauí contra os abusivos aumentos das passagens de ônibus urbanos trouxe a tona um debate antigo sobre a relação cidadão/cidadania e democracia.
Cidadão e aquele que cumpre com seus deveres e reivindica direitos.
Este é o ensinamento corrente nos bancos escolares, que limitam o ser humano a um conjunto diminuto e tiram-lhe qualquer possibilidade de interferir nas coisas que afetam a sua vida sob qualquer hipótese.
Ser cidadão é exercitar diuturnamente a capacidade humana de pensar e agir para transformar a realidade que o cerca.
O termo cidadania vem “do latim civitas”, cidade. Neste sentido, a palavra-raiz, cidade, diz muito sobre o verbete. O habitante da cidade no cumprimento dos seus deveres é um sujeito que age, em contraposição ao sujeito passivo, omisso, contemplador e absorvido por si e para si mesmo, ou seja, não basta estar na cidade, mas agir na cidade. A rigor, cidadania não combina com individualismo e com omissões individuais frente aos problemas da cidade; a cidade e os problemas da cidade dizem respeito a todos os cidadãos.
Pois o transporte coletivo esta inserido neste contexto situacional e é obrigação do estado prestar serviços desta natureza, porém, como o estado se sente incapaz de por seus proprios instrumentos fornecer a coletividade estes serviços, delega a terceiros esta atividade mantendo controle de qualidade e de funcionalidade.
Compete ao terceiro prestar estes serviços e dele auferir lucros como qualquer outra atividade econômica.
Quando o estado deixa de cumprir com justeza sua função reguladora dos serviços públicos transferido a terceiro e impõe diferenciações e previlégios; ele o estado, passa a ser injusto com a maioria, em favor de uma minoria que torna-se diferenciada entre os cidadãos.
Se levarmos em conta que o usuário do transporte coletivo urbano é o assalariado no seu deslocamento da casa para o trabalho e vice-versa e que o preço da passagem pesa no seu já minguado orçamento e este assalariado se ve compungido a contribuir financeiramente para que “outros” segmentos sociais de natureza homóloga sejam beneficiados e neste caso figuram os estudantes que são beneficiados com descontos nos preços da tarifa do transporte coletivo, como são os cidadãos da terceira idade.
A diferença de valores pagos por uns e por outros, me parece uma distorção; já que um preço é menor não porque receba subsidios do estado, mas simplesmente porque outros pagam mais, ou seja: No preço da passagem de uns consta a diferença que o outro deixou de pagar.
Há, aqui, neste caso um desiquílibrio entre cidadãos/cidadania e o exercício  democrático de manifestação e de expressão é vituperado, destorcido, desfigurado; com a agravante de que a predação de onibus na verdade é ato que atenta para a economia popúlar já que na mesma panilha que beneficia segmentos sociais também consta valores para reposição da frota, depreciação entre outros.
A fúria da massa recai sobre ela mesma que acaba pagando a conta.
O hábito de discutir conceitualmente o ser e o não ser cidadão e o exercício pleno da cidadania disfigurado pelo mofinamento a que fomos submetidos, já que o cidadão foi excluído peremptóriamente da vida da cidade e os seus governantes voltaram a ser absolutos sobre a vontade popular,  acabam provocando reações que servem para que se diga que a democracia é plena sob todos os angulos.
Mentira dita tantas vezes que acaba parecendo verdade.   

3 comentários:

  1. Acho o discurso textual muito coerente! Acrescento ou reforço que o debate das conquistas sociais não deve ser fragmentado, necessitamos da coesão de estudantes, trabalhadores, excluidos, e outros explorados na busca por mais justiça e cidadania plena para todos!

    Cumprimentos,

    Fernando J F Gonçalves

    ResponderExcluir
  2. O crescer juntos nos fará Cidadãos plenos no exercício da cidadania e na busca de condições de vida dignas de humanos.

    Obrigado.
    Ademir

    ResponderExcluir
  3. Uma pessoa sozinha não consegue muito, mais várias pessoas podem conseguir demais. Bem fizeram os estudantes que se revoltaram ao pouco respeito dos governantes.

    ResponderExcluir