É necessário reescrever o título acima pela quantidade de e-mail que recebi uns elogiando, mas a grande maioria criticando minha postura diante de movimentos populares fortes em nosso país.
Primeiro dizer que também sou um indignado com a forma da construção da dita “democracia” em nosso seio.
Segundo afirmar que a democracia dos donos do capital e muito diferente da democracia daqueles que só tem a sua força de trabalho como bem e a sua prole como herança.
Os primeiros crescem economicamente pela expropriação da riqueza historicamente produzida, exatamente pelo trabalho exaustivo dos segundos e estes vivem do sonho impossível de serem iguais aos primeiros para viverem no luxo e na opulência.
Este sonho ideologicamente construído e arraigado segundo Althusser pelos aparelhos ideológicos do estado que disseminam pelo tecido social a vontade da classe dominante, faz o trabalhador pensar que um dia a sorte lhe será viceja e ele passa a pensar e agir não como um proletário mas como um integrante da burguesia e também dono do poder. Neste caso Paulo Freire sintetiza com o titulo do seu mais famoso trabalho “Pedagogia do Oprimido”: Que é necessário antes de tudo libertar o opressor. É claro que o opressor que Paulo Freire fala é esta condição de burguês, sem sê-lo.
No caso das manifestações em Teresina no Piauí, os estudantes, a maioria filhos de abastados senhores do capital, que recebem mesada para se manterem na cidade grande, vêem diminuir os recursos da cerveja e das festas de fim de semana ser engolidos pela tarifa dos serviços de transporte urbano.
Nada contra, muito pelo contrário, festar, beber e enrolar-se no frescor da noite, faz parte de um período da vida das pessoas e este período é justamente na idade escolar e do aprendizado acadêmico.
O que é inadmissível é concordar com a violência e a depredação de bens de qualquer natureza, seja ele produtivo ou não. Estes bens pertencem à sociedade e a sua reposição no caso dos ônibus vai fazer com que a tarifa fique alguns pontos mais caros quando do próximo reajuste, ou os veículos de transporte coletivo ficarão obsoletos e impróprios para o transporte da massa trabalhadora e pontualmente pelos estudantes.
São justas e dignas toda e qualquer forma de manifestação, repito; o condenável é a banalização de movimentos ditos populares que trazem prejuízo exatamente para os populares.
O condenável é que estes movimentos acabam provocando entre as classes populares o descrédito quanto à eficiência e eficácia destas ações que nada mudam e só trazem transtornos e apreensão, cansaço e mutilação do pouco tempo entre o trabalho e o lar.
Carecemos de movimentos autênticos e permanentes na defesa dos interesses populares e para a construção de uma nova condição social onde a miséria não campeie e a liberdade seja espraiada para todos os homens e mulheres deste país.
Vem-me a lembrança a figura impar e para muitos, mística, de Mahatma Gandhi que libertou um país da opressão colonizadora sem provocar um arranhão nos opositores que o perseguiam, difamavam e deturpavam o seu trabalho.
Ele tinha um objetivo, uma visão de mundo e uma vontade férrea que junto com a sua capacidade de mobilização foi juntando forças por toda a Índia e os Ingleses não tiveram outro recurso a não ser devolver o país dominado aos seus verdadeiros donos.
As nossas riquezas são expropriadas todos os centésimos de segundo que respiramos, mas somos incompetentes para entendermos a distancia que nos separa da felicidade, e por isto, por causa disto ficamos reféns de uma mitologia pobre e barata.
Creio profundamente que os trabalhadores e trabalhadoras só viverão melhores e reconquistarão direitos surrupiados, quando compreenderem a função do estado e como serem atores na direção de um estado voltado para a felicidade de todos.
Isto é um aprendizado continuou, portanto aprender com os erros é sempre salutar.
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