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domingo, 15 de novembro de 2009

No Universo das coisas perdidas.


O homem desde que se descobriu autor do seu destino, debate-se entre o ser e o ter. São espécies diferentes: de um lado o homem humanizado, que chamamos de homem sapiens e de outro o homem selvagem que denominamos de homo demens.
Antes de continuar esta reflexão demonstro o que entendo ser o homem selvagem; vejam: Não há selvageria maior do que a miséria, a fome, a pobreza, a violência, o desrespeito a vida com as agressões ao ambiente. Vivemos num mundo apocalíptico, apologética de Hobbes do homem destruindo o homem e por consequência se autodestruindo.
Desde que o homem descobriu a cultura e o saber, desde as primeiras trocas de bens e de gêneros para a sobrevivência há os que caminham na direção da solidariedade e há os que caminham na direção da expropriação.
O Problema é que o expropriador não é de forma geral um homo sapiens; o expropriador esta mais para homo demens porque na maioria das vezes inculto e desprovido de saber, não é sem conta que o grande pedagogo Paulo Freire ensinou que primeiro é necessário libertar o opressor, porque este é inculto e de raciocínio animalesco, de fato um predador.
Quando o homem descobriu-se um ser cultural, provido da capacidade de pensar e de desenvolver o conhecimento inicia uma jornada na direção do desconhecido desbravando-o, retirando do meio e pelo meio toda forma de cultura e de conhecimento. Com Platão iniciamos a discussão sobre valores, à moral e a ética; com Hegel a dialética e com Karl Marx ao Materialismo histórico, Hobbes, Locke e depois Rousseau ao Contrato Social pelo qual se pressupõe que indivíduos conscientes e deliberados abrem mão em parte ou no todo de seu arbítrio para que outrem a exerça.
No entanto todos os avanços culturais têm chegado a uma parte ínfima da humanidade e nela homens demens tem se apropriado deste conhecimento para escravizar bilhões de pessoas.
Os avanços tecnológicos na área da comunicação social de massa não têm levado informação e conhecimento à população, ao contrário desinforma quando apenas interesses econômicos compõem a pauta da noticia de forma maliciosa e fugaz, que não permite reflexão sobre o porque dos acontecimentos.
Os sistemas de ensino, nada ensinam, apenas repetem um conhecimento desprovido de teorias e da capacidade de fazer pensar, refletir, reagir.
Quando o ter significa ser o único, o maior, o incomparável, desce o homem para níveis pré-histórico, selvagem, insensível, inumano. Em seu nome e para sua acumulação pratica-se a selvageria da fome e da miséria.
Os poucos que agem na construção do homem humanizado, homo sapiens por excelência, lentamente avançam, (desta feita em razão de uma ameaça maior a destruição do planeta) na direção da construção de uma humanidade solidária, sem fome, sem miséria e sem violência.
Enquanto ser que raciocina, ama e é amado a distância entre os homos é muito grande e o ter prevalece sobre o ser e fica um vazio neste universo de coisas perdidas.

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